sábado, 8 de janeiro de 2011

Bebidas com adoçantes artificiais podem causar ganho de peso?


Um estudo prospectivo que acompanhou 166 crianças em idade escolar durante um ano descobriu que o aumento do consumo de refrigerantes com adoçantes artificiais está associado com a elevação no IMC (índice de massa corporal). Outro grande estudo que envolveu 11.654 crianças de 9 a 14 anos também relatou associação positiva entre refrigerantes diet e ganho de peso, em que para cada dose diária da bebida diet foi encontrado o aumento de 0,16 kg/m2 no IMC.

Evidências também mostram que tanto a ingestão de refrigerantes diet ou com açúcar estão associados com o aumento da ingestão calórica diária total, foi o que concluiu o estudo realizado pelo National Institute of Health (NIH), Estados Unidos. Este trabalho acompanhou 2.371 meninas com idade entre 9 a 19 anos durante 10 anos, no entanto, a correlação entre refrigerante dietético e IMC não foi significativa.

Estudos que buscaram investigar a perda de peso em indivíduos com sobrepeso ou obesidade com o uso de adoçantes artificiais não encontraram resultados satisfatórios. Um ensaio clínico controlado e randomizado, que substituíram bebidas adoçadas com açúcar por bebidas com adoçantes artificiais, não foi capaz de diminuir o IMC após 25 semanas de substituição.

Pesquisadores também vêm descobrindo que a ingestão de aspartame pode estar associada com o aumento do consumo total de energia, sugerindo uma maior compensação das calorias reduzidas.

Estudos experimentais descobriram que quanto maior o consumo de alimentos de sabor doce, tanto fornecido pelo açúcar quanto por adoçantes artificiais, podem levar ao aumento do apetite. Evidências também sugerem que o aspartame pode, de alguma forma ainda não esclarecida, aumentar a fome e/ou consumo de energia, resultando em maior ingestão calórica e aumento de risco para obesidade. Estes estudos apresentam a hipótese de que existe uma compensação entre o gosto doce e o conteúdo calórico. 
No entanto, os resultados ainda são inconclusivos.

Está bem esclarecido que o açúcar oferece grande quantidade de carboidratos, que são rapidamente absorvíveis e levam à ingestão excessiva de calorias, conseqüentemente ao ganho de peso. Portanto, é necessária a restrição do seu consumo do açúcar. No entanto, a sua substituição por adoçantes artificiais deve ser cautelosa. Embora ainda não esteja completamente claro o papel das bebidas diet no peso corporal, os estudos sugerem que haja limitações quanto ao seu consumo, para que não haja compensação através do aumento no consumo de outros alimentos de alto teor calórico.

Quais são as principais propriedades da cafeína?

Evidências científicas sugerem que o consumo moderado de cafeína pode exercer efeitos benéficos sobre vários sistemas fisiológicos. Uma revisão bibliográfica publicada em 2010 destacou que o consumo moderado (200-300 mg) da cafeína possui as propriedades de:

1) Diminuir a fadiga mental;
2) Aumentar o gasto energético de repouso;
3) Diminuir a sensação de esforço associado à atividade física;
4) Melhorar o desempenho físico, motor e cognitivo;
5) Aumentar a capacidade de concentrar e focar a atenção;
6) Reforçar a memória de curto prazo;
7) Aumentar a capacidade de resolver problemas que requerem raciocínio;
8) Aumentar a capacidade de tomar decisões;
9) Melhorar a coordenação neuromuscular.

Pesquisa confirmou uma destas propriedades quando observou que após 20 minutos do consumo de 100 mg de cafeína, indivíduos saudáveis apresentaram aumento da atividade neural em áreas cerebrais associadas com a atenção durante a execução de atividades que exigiam o uso de memória de curto prazo como, por exemplo, armazenar número de telefone por alguns minutos.

A cafeína (1,3,7-trimetilxantina) pertence a uma classe de compostos chamada xantina que apresenta estrutura química semelhante ao neurotransmissor adenosina. Esta substância possui ação farmacológica sobre o sistema nervoso central, pois pode aumentar a eficiência das redes neurais do córtex cerebral.

Existem relatos que devido a sua estrutura química ser semelhante a adenosina, a cafeína pode potencializar a neurotransmissão pós-sináptica no sistema nervoso simpático e, com isso, estimular o aumento do gasto energético.

Este efeito foi observado em um estudo científico em que homens saudáveis tiveram aumento significativo do gasto energético após 30 minutos da ingestão de cafeína em dose superior a 50 mg. Este efeito persistiu por pelo menos 4 horas, aumentando em 6% no gasto energético de repouso total.

Em um estudo duplo-cego, randomizado e controlado, mostrou que o consumo de 100 mg de cafeína, 2 horas e meia antes da atividade física, melhorou o desempenho de ciclistas.

Entretanto, cabe ressaltar que o consumo excessivo de cafeína pode causar efeitos adversos, como irritabilidade, dores de cabeça, insônia, diarreia e palpitações do coração.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Diferença entre: DIET e LIGHT

Desde o início da comercialização dos alimentos diet, a maioria dos consumidores associaram esses produtos como sendo de baixo valor calórico e, conseqüentemente, permitidos para as pessoas que precisam ou desejam perder os quilos extras.
Depois, vieram os light e a confusão se formou.

Diabéticos, hipertensos, pessoas com nível de colesterol alto ou com excesso de peso podem consumir o mesmo alimento diet ou light? Pão e refrigerante light ou diet, sal light, margarina light, chocolate diet. Diet e light viraram "sobrenome" de diversos alimentos, mas o que os diferenciam?



Alimento Diet

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o termo diet pode ser usado em dois tipos de alimentos:

1. Nos alimentos para dietas com restrição de nutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas, sódio);

2. Nos alimentos para dietas com ingestão controlada de alimentos (para controle de peso ou de açúcares).

Mas, o que quer dizer ingestão controlada ou restrição de nutrientes?

Os alimentos para dietas controladas não podem ter a adição de nutriente. Assim, para ingestão controlada de açúcar, não pode haver inclusão de nutrientes que possuam o açúcar natural do alimento como, por exemplo, a geléia diet que tem como açúcar natural a frutose.

É importante que fique claro que nem todos os alimentos diet apresentam diminuição significativa na quantidade de calorias e, portanto, devem ser evitados pelas pessoas que querem emagrecer.

Alimento Light

A definição de alimento light deve ser empregada nos produtos que apresentem redução mínima de 25% em determinado nutriente ou calorias comparado com o alimento convencional.

Dessa maneira, a primeira diferença entre o alimento diet e light está na quantidade permitida de nutriente. Enquanto que o diet precisa ser isento, o light deve apresentar uma diminuição mínima de 25% de nutrientes ou calorias em relação ao alimento convencional.

A segunda diferença é conseqüência da primeira: o alimento light não é, necessariamente, indicado para pessoas que apresentem algum tipo de doença como diabetes, colesterol elevado, celíacos ou fenilcetonúricos. Se, o alimento light apresentar eliminação do nutriente, por exemplo, açúcar (refrigerante light), poderá ser consumido pelos diabéticos.

Confusão é fácil de acontecer; por isso, leia os rótulos com muita atenção. Compare os produtos light e diet com os alimentos convencionais. É muito importante verificar se eles atendem às suas necessidades

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Os segredos dos chás

O chá protege as artérias influenciando os fatores relacionados à formação de coágulos. Os elementos químicos presentes nos chás podem reduzir a capacidade de coagulação do sangue, impedir a ativação e o agrupamento das plaquetas, aumentar a atividade de dissolução de coágulos e diminuir os depósitos de colesterol nas paredes arteriais.
Um dos pioneiros quando o assunto são chás e arteriosclerose, Lou Fu-qing, M.D., professor e chefe do departamento de medicina interna da Universidade de Medicina de Zhejiang, China, estudou os efeitos dos elementos químicos dos chás nas vítimas de ataques cardíacos. O pigmento proveniente do chá preto comum ou do chá verde asiático impedia o acúmulo de plaquetas nos pacientes e aumentava a atividade de dissolução de coágulos. Surpreendentemente, concluiu que o chá preto comum, consumido normalmente pelos norte-americanos, funcionava tão bem quanto o chá verde asiático. Um determinado tipo de tanino presente no chá verde, chamado catequino, é tão eficaz quanto a aspirina no sentido de bloquear o acúmulo de plaquetas.

O chá, aparentemente, também ajuda a bloquear o estímulo gerado pelo colesterol LDL na proliferação de células musculares nas paredes arteriais, esse crescimento de células favorece o acúmulo de plaquetas nas artérias.
SALVOS PELO CHÁ
Evite os derrames bebendo chá, principalmente chá verde. Uma explicação para a atividade anti-derrame pode ser a alta concentração de antioxidantes no chá, capazes de proteger os vasos sanguíneos contra danos.

JAPONESES CONSUMIDORES DE CHÁ
O consumo diário de no mínimo dez xícaras de chá verde, protege o organismo do câncer de estômago. Segundo estimativas dos pesquisadores, essa quantidade de chá forneceria de 40 a 50g de vitamina C. Além disso, foi demonstrado através dos mesmos estudos, que o chá verde (tanto quanto o chá preto) realmente neutraliza a formação de nitrosaminas - potentes carcinógenos - tanto em tubos de ensaio quanto no estômago de seres humanos.


 ►INDICAÇÃO DO CHÁ

Chá de Alecrim - Indicado para stress físico e mental, depressão, gota, reumatismo. Facilita a digestão.
Alfazema - Indicado para insônia, excitação nervosa, alivia nevralias (dores de cabeça), tosse, asma, bronquite.
Arnica - Analgésico e anti-inflamatório, é indicado para casos de traumatismos, luxações, entorses, hematomas, distensões musculares e ainda como antisséptico em afecções bucais e furúnculos.
Ban-chá - Depurativo, cuja ação acentua a eliminação de toxinas aumentando a diurese e facilitando a digestão.
Boldo - Tônico do aparelho digestivo, aumenta a produção da bile eliminando gases, cálculos na vesícula e no combate das afecções do fígado e baço.
Camomila - Auxilia a digestão aliviando cólicas abdominais, náuseas, diarréia. Indicado como calmante para insônia e nervosismo.
Carqueja - Ação benéfica sobre o fígado e intestino, aliviando azia, má digestão, gastrite, prisão de ventre, etc.
Catuaba - Tônico do sistema nervoso, ameniza o nervosismo, insônia, fadiga cerebral, impotência sexual, tosse e bronquites.
Cofrey - Ação terapêutica nas afecções sobre o aparelho respiratório tais como, amigdalite, laringite, faringite. É cicatrizante de fissuras, feridas e abcessos, eczemas, podendo ser usado com cautela em processos internos como úlceras gástricas e duodenais.
Erva Cidreira - Insônia, nervosismo, cólicas no ventre e gases.
Erva Doce - Alivia cólicas menstruais e abdominais, inclusive de recém-nascidos. Auxilia na digestão.
Eucalípto - Trata inflamações das vias respiratórias como tosse, rouquidão, bronquite, asma e alivia estados catarrais.
Hortelã - Atenua azia, gases e cólicas. Vermífuga (lombriga e oxiurus). Alivia asma e bronquite.

Jasmim - Tônico, indicado contra sonolência e no combate de acessos de asma. Excelente diurético.
Maçã - Sedativo, digestivo, anti-diarréica e também indicada nos casos de colite.
Malva - Afecções das vias respiratórias como bronquite, tosses catarrais, laringite e nos processos inflamatórios de boca e garganta, através de bochechos e gargarejos. Antisséptico de vias digestivas e urinárias.
Maracujá - Dores de cabeça de origem nervosa, ansiedade, insônia, palpitações, perturbações nervosas da menopausa e dores espasmódicas.
Melissa - Sedativo em distúrbio de origem nervosa, perturbações gástricas como indigestão, enjôos e espasmos. Alivia dores de cabeça.
Menta - Indicado para má digestão, gases e cólicas.
Poejo - Anti-inflamatório, ação espectorante no processos respiratórios como tosses catarrais, antiespamódico e ainda depurativo.
Salvia - Estimulante estomacal, usado nas atonias digestivas, náuseas, dispepsias, alivia cólicas estomacais, intestinais e mentruais. Indicada nos casos febris com sudorese intensa. Ação antisséptica na higiene bucal e em afecções da pele de origem micótica e feridas.
Stévia - Adoçante usado nas dietas de emagrecimento, na alimentação infantil e por não interferir na glicemia pode ser usado por diabéticos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As ervas e especiarias

Todo mundo sabe que a gordura, apesar de calórica e maléfica quando consumida em excesso, confere agradável sabor à comida. Porém, este nutriente não é, definitivamente, a única maneira de se preparar um prato gostoso. Utilizando ervas e especiarias é possível preparar comidas saborosas sem ter que apelar para a gordura e o sal em excesso. Elas aromatizam qualquer prato e, agregado a isso, ainda fornecerem compostos bioativos que só trazem benefícios à saúde.

No filme Estômago, do diretor Marcos Jorge, o protagonista Antônio já provava que até a comida da prisão ficava interessante acrescentando um “tal de alecrim”. Em uma das últimas brilhantes produções da Disney, um ratinho apaixonado por gastronomia também fazia sucesso, criando explosões de sabores ao misturar ervas e especiarias em seus pratos. Pois é: sair da monótona culinária do dia-a-dia com esses temperos é um jeito um interessante de cozinhar saudável.
A salsa combina com tudo e ainda colore qualquer prato. O manjericão, além de classicamente combinar com massas, também vai muito bem com frutos do mar, oferece frescor à saladas e dá um toque especial em bebidas e drinks. O tomilho deixa carnes e peixes com um sabor fantástico e o alecrim combina perfeitamente com aves e carne suínas.
As especiarias também não podem ser esquecidas. A noz-moscada, por exemplo, acentua o sabor de pratos à base de leite e queijo. Cravo, canela e gengibre, além de temperar inúmeros pratos e bebidas, deixam chutneys de qualquer fruta incríveis. E por que não apimentar a vida? Além da pimenta do reino, existem mais de dez tipos de pimentas comercializadas no Brasil (pimenta do reino branca, biquinho, malagueta, dedo-de-moça, cambuci, a falsa pimenta rosa, etc) que além de tornarem a comida picante, proporcionam diversos sabores diferentes.
Pensando em saúde, sabe-se que as especiarias são consideradas fontes naturais relevantes de antioxidantes. Os antioxidantes naturais são apontados como combatentes dos radicais livres, que, entre outras coisas, causam envelhecimento precoce e doenças crônico-degenerativas.
 As ervas e especiarias também vêm sendo estudadas como fonte de antioxidantes naturais a serem utilizadas em alimentos industrializados em detrimento de alguns sintéticos que já estão sendo proibidos na Europa e Japão.

Como usar?
►Alecrim: erva doce e perfumada, é excelente em pratos com carneiros, sopas, assados, marinados, peixes e frutos do mar, e também molho de tomate italiano para peixe, patê de fígado, batatas cozidas, couve flor, espinafre, cogumelos, frutas, sucos e pães.
►Salsa: erva de sabor suave, utilizada dentro e sobre as comidas. Dá sabor a canapés, sopas, saladas verdes, pães, molhos, carnes, recheios.
►Manjericão: conhecido com a “erva do tomate”, pode ser utilizado na maioria das receitas que o utilizam. Utilizado também em recheios, macarrão, arroz, assado de carne de vaca, porco, hambúrguer, pão, pato, lagosta, camarão, peixe, vitela, pizza, saladas verdes, sopas, batatas, molho de churrasco. Além dessas preparações, é fundamental na composição do molho para a massa “ao pesto”.
►Tomilho: é usado para temperar carnes, aves e peixes. Pode ser adicionado a pratos com tomate ou queijo também.
►Noz moscada: Pode ser utilizada em pratos doce, mas também para  realçar o sabor das carnes e legumes. Podem ser salpicadas em bebidas com leite, quentes ou geladas, frutas, pudins e sopas.Use na preparação de bolos, bolachas, donuts, tortas, wafles e bolinhos.
►Cravo: Além do sabor os cravos inteiros são utilizados para decorar pratos, ornamentam presunto, frutas, cebolas, porco e carne de vaca. Use em bebidas, assados de panela, marinados, molhos, picles, sopas. Cravos moídos, podem ser utilizados em bolos temperados, bolos de frutas, pão de gengibre, pudim de ameixa, molhos. Assados de carnes.
►Canela: A canela é uma das especiarias mais versáteis e conhecidas. Combina com pratos com maçã, ameixas, cozimento de legumes, chocolate quente, vinho e compotas de frutas. No inverno, é bastante comum temperar o vinho com canela e toma-lo quente.Moída ou em pó, é usada no preparo de torrada, pão doce, sopa, chocolate quente, pudim de ameixa, bolinho de maçã, carnes assadas.
►Gengibre: O gengibre inteiro é usado em picles, caldas, bebidas, molho teriyaki, conservas, chás. Não podendo esquecer do seu uso indispensável no quentão. Quando moído, é utilizado em molhos, sopas, carneiro, porco, aves, chutney, conservas, saladas. Além de ser uma excelente combinação com outras especiarias.

 Com todos esses argumentos a favor, por que não experimentar?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

a diferença entre suco concentrado e integral

A designação de suco integral é privativa ao suco sem adição de açúcares e na sua concentração natural, por exemplo, sucos de laranja derivado da fruta espremida. 

O suco concentrado é aquele parcialmente desidratado que, quando reconstituído, conservam os teores originais do suco integral, ou apresenta o teor mínimo estabelecido nos respectivos padrões de identidade e qualidade para cada tipo de suco. Por exemplo, sucos em garrafas de vidro que devem ser misturados a água antes do consumo.

Não se deve confundir o suco concentrado com o néctar de fruta. Este último é a bebida não fermentada, obtida da diluição em água potável da parte comestível do vegetal ou de seu extrato, adicionado de açúcares, destinada ao consumo direto.


→ A legislação que regulamenta a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas foi estabelecida em 14 de julho de 1994, de acordo com o Lei no 8918.

sábado, 6 de novembro de 2010

Alimentos modulam processos inflamatórios no sobrepeso

Estudo revelou que a suplementação de componentes alimentares com propriedades anti-inflamatórias modula a inflamação, estresse oxidativo e metabólico de indivíduos com sobrepeso. Estes efeitos foram detectados por uma abordagem nutrigenômica, através de análise em larga escala da expressão gênica, proteínas e metabólitos no sangue, urina e tecido adiposo.

Este foi um trabalho randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, ensaio clínico cruzado, com quatro períodos de tratamento de cinco semanas cada. Foram selecionados 36 homens, saudáveis com índice de massa corporal (IMC) entre 25,5 e 35,0 kg/m2, e baixo grau de inflamação, com concentração de PCR de 1-10 mg/L. 

O objetivo foi investigar os efeitos anti-inflamatórios induzidos pela intervenção nutricional em homens com sobrepeso, que apresentavam leve aumento das concentrações de proteína C-reativa (PCR). Portanto, foram suplementados compostos potencialmente eficazes destinados a atuar na redução da inflamação.

O tecido adiposo é fundamental para o estado inflamatório associado com a obesidade. Os adipócitos secretam adipocinas pró e anti-inflamatórias, incluindo o fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa), interleucina-6 (IL-6) e adiponectinas anti-inflamatórias. A redução de adiponectina e aumento da proteína C-reativa (PCR) estão associados a doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. 

A suplementação foi denominada de AIDM (Antiinflammatory Dietary Mix), que consistiu de óleo de peixe, extrato de chá verde, resveratrol, vitamina E, vitamina C e extrato de tomate.

Os participantes consumiram duas cápsulas sólidas e duas cápsulas gelatinosas com 200 ml de iogurte simples diariamente no café da manhã e na refeição da noite. As cápsulas sólidas continham: 6,3 mg de resveratrol (dose diária equivalente a 4 L de vinho tinto); extrato de tomate contendo 3,75 mg de licopeno (dose diária equivalente a 500 ml de suco de tomate); 94,5 mg de extrato de chá verde (40% de epigalocatequina galato; dose diária equivalente a 300 ml de chá verde); 181,4 UI de alfa-tocoferol (Ingestão Diária Recomendada: 18 UI e o nível máximo tolerável: 1000 UI); 125 mg de vitamina C (nível máximo tolerável: 2000 mg/d). As cápsulas gelatinosas continham: 1200 mg de óleo de peixe, sendo 380 mg de ácido eicosapentaenóico (EPA) e 260 mg de ácido docosahexaenóico (DHA); 60 mg de outros ácidos graxos poli-insaturados. 

PCR e adiponectina foram os principais marcadores de inflamação mensurados neste estudo. As concentrações de PCR não foram alteradas com a suplementação de AIDM, enquanto que as concentrações de adiponectina aumentaram significativamente de 6,03 ± 2,06 mg/L após a intervenção placebo para 6,48 ± 2,57 mg/L após a intervenção com AIDM (p < 0,05). 

A redução do estado inflamatório pode prevenir a ocorrência de distúrbios e doenças relacionadas ao sobrepeso. Muitos componentes de alimentos apresentam propriedades anti-inflamatórias e/ou antioxidantes. A dieta mediterrânia contém vários destes compostos e tem sido associada com redução de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Esses alimentos contêm altos teores de polifenóis, vitaminas, ácidos graxos insaturados, e carotenóides. 

Após suplementação com AIDM houveram mudanças nas respostas relacionadas ao metabolismo lipídico e doenças metabólicas. A maior parte dessas alterações foi sobre a resposta inflamatória, estresse oxidativo (produção de espécies reativas de oxigênio), e o metabolismo lipídico. A rede metabólica construída a partir dos dados integrados da expressão gênica indicou papel central do efeito do AIDM sobre o NF-kappaB (fator nuclear kappa B). A interpretação biológica dos dados se concentra nestes três processos: inflamação, oxidação e metabolismo.

“Os efeitos leves observados podem ser atribuídos à duração da intervenção. Apesar das limitações, a nossa abordagem permitiu a detecção de múltiplos efeitos sobre a saúde através da mistura de componentes dietéticos em indivíduos com sobrepeso. Além disso, as alterações na expressão de genes, proteínas e metabólitos induzida pela AIDM pareceram ser consistentes. Isso pode vir a ser uma vantagem adicional da abordagem nutrigenômica em estudos de intervenção humana, o que permite a alta sensibilidade na detecção de alterações fisiológicas múltiplas”, concluem os autores.